Olá, amores!
Feliz Natal!
Tenham todos um Natal iluminado, que seja um dia de muita paz, alegria e união.
Espero que todos tenham um final de ano maravilhoso e de boas festas!
 
 
Para quem não sabe eu amo escrever... Participei de alguns livros esse ano com contos e textos... Percebi que só publiquei dois textos meus aqui no blog até o momento e decidi escrever um conto de Natal e disponibilizar aqui para vocês lerem!
 
Espero que tenham uma boa leitura...
 
Uma Lágrima Solitária no Natal (Conto)



Uma Lágrima Solitária no Natal

Era fácil olhar para ele e se apaixonar até descobrir quem era o verdadeiro homem que habitava dentro dele.
Meu amor por ele me fez sonhar ainda mais e  nunca mais querer apenas ler romances  e sim vivê-los, quando achei que tudo estava indo bem o destino veio e me tirou dos braços do ilusório homem que eu amava.
Queria poder voltar no tempo, para mudar a minha escolha, meu lugar não era lá, ou talvez até era, mas Ele me deixou escolher. Não irei mentir para você que dele sinto muita falta e que mesmo depois do que aconteceu parece que o meu elo de amor continua vivo, por aquele ser bom que um dia existiu.


Quero te contar a minha história, meu nome é Anastasia, tenho 20 anos e parei no tempo -logo você vai entender.
Desde pequena meu pai me ensinou que deveria crescer e realizar os meus sonhos, porém jamais deveria me esquecer que para tudo existe um limite.
Minha mãe viajava muito quando eu ainda era menina, meu pai não se importava com suas viagens - Que mal havia nisso?- ela só queria conhecer os lugares onde lia em seus romances, mas os dias foram passando eu e a minha irmã fomos crescendo e notando que a mamãe voltava cada vez mais feliz, acabamos pedindo de Natal para o Papai Noel naquele ano uma viagem, igual a de nossa mãe.
Pela primeira vez mudamos bruscamente nossos pedidos o que deixou ambos encabulados querendo nos entender, meu pai é um homem de negócios ganhava muito bem e podíamos viajar sempre, mas fazer exatamente  aquele pedido no Natal foi ainda mais marcante. Somos religiosos e costumamos fazer pedidos especiais, meus pais sempre nos fez entender que não existem só presentes nesta noite tão especial e sim um único que veio por nossa causa, o menino Jesus.
Para mim tudo sempre foi como mágica, as histórias  que sobre ele me contavam me deixava impressionada, nunca deixei de acreditar que aquela criança era importante e especial… Como sempre eu e a minha irmã fazíamos alguns pedidos iguais para entenderem que era importante para nós, com 6 anos pedimos para sermos amigas de Jesus, foram longos anos fazendo o mesmo pedido, até durante nossas orações antes de dormir, para mim era impossível meu pai aceitar que ele já era nosso amigo se ele não tinha ido na minha casa, nem brincado com a gente. Como ele poderia deixar um garoto que ele conhecia ser nosso amigo que nem nós duas conhecíamos? Foram 3 longos anos fazendo o mesmo pedido até eu entender e compreender tudo que os meus pais diziam.
Quando completamos 10 anos e fizemos o mesmo pedido mais uma vez só que aquele que já te contei, desencadeamos problemas, causamos uma briga entre nossos pais.
Durante a noite papai veio conversar comigo e me perguntar porque fiz aquele pedido, lhe contei sobre notar a mamãe mais feliz e que desejava o mesmo para mim, acabei lhe confessando também que fiz minha irmã notar o jeito de nossa mãe e fazer a mesma coisa que eu, pedir o mesmo que ela, uma viagem.

Meu pai me deu um beijo no alto da cabeça e me colocou para dormir, logo peguei no sono e ao acordar nada foi como mágica, eu não iria ganhar meu presente e a minha irmã também não.

Acordei com a luz do dia passando pelas cortinas, chamei a minha irmã para abrirmos nossos presentes, nem passamos pela cozinha, fomos correndo para a linda árvore de natal que havíamos montado, estava tão linda, simplesmente a mais bela que já vi até hoje.
Abrimos então desesperadas as caixas, caixas e mais caixas, porém, nada de passagens, por vezes tinha visto aqueles papéis quando íamos de avião principalmente para a casa da vovó, olhei tudo, revirei cada papel rasgado para ver se não tínhamos rasgado sem querer, mas nada tinha ali que se parecesse com as passagens.
Percebi que a minha irmã nem estava procurando, talvez nem se lembrasse mais já que na verdade quem queria aquilo mesmo era apenas eu.
Sem esperança de encontrar as passagens pelo menos não sozinha, fiz um pedido ali mesmo com lágrimas escorrendo pelo rosto, falei então com o tal menino que havia nascido naquela noite, pedi para ele uma ajuda se as pessoas realmente estavam falando a verdade sobre ele para mim então iria me ajudar.
Olhei para estrela lá no topo, ela parecia tão inalcançável para mim que era tão pequena, mas para o meu pai era fácil de pegar, um dia iria pegar aquela estrela, um dia seria eu que iria colocar ela no topo sem precisar de colo.
Minutos se passaram e nada de aparecer os tais papéis, dei um meio sorriso para a minha irmã que tinha parado de brincar para me ver chorar sem entender, olhei pela última vez para a estrela que brilhava bem na pontinha da árvore como se ela de algum jeito pudesse me entender e sai da sala de cabeça baixa.
Fui para a cozinha tomar meu café da manhã e encontrei a minha mãe sentada olhando para o jardim com os olhos vermelhos com uma caneca na mão. Fiquei observando aquela triste cena, pela primeira vez ela não estava feliz. Onde estava o brilho de seus olhos? Eu os queria de volta, precisava deles, precisava dela feliz de volta.
Fingi não ter notado seu silêncio e soluços presos que teimavam querer sair e ecoar pela casa, corri até ela pulando e cantando uma das músicas de natal que tinha escutado no rádio do carro do papai e me joguei sobre ela, abraçando sua cintura, como se fosse uma manhã como qualquer outra. Mas, algo estranho aconteceu… Comecei a ouvir soluços, eles eram meus, o meu choro ecoou pela casa no lugar dos dela, meus olhos se transbordaram em lágrimas provavelmente iguais aos dela. Mamãe colocou a caneca sobre a bancada, passou a mão pelos meus cachos loiros, tocou o meu rosto, olhou no fundo dos meus olhos quando se ajoelhou na minha frente, vi meu reflexo em seus olhos azuis, vi a lágrima solitária que escorreu do seu olho direito e passei a mão para secar aquela gota como se isso fosse a solução. Minha mãe ficou uns minutos do mesmo jeito até me dar um beijo na bochecha, me abraçar bem apertado e me pegar no colo. Ela se sentou comigo ainda em seu colo em uma das cadeiras da mesa, me apertou em seus braços e cantou para mim a música de natal. Não sei dizer qual o poder que ela tinha, mas naquela época e até mesmo hoje acredito que seja o poder de ser mãe.
Sem eu dizer nada após o fim da música, mamãe me disse para não chorar mais, que entendia a minha tristeza por não ter ganhado o que queria e que um dia ela iria viajar comigo, apenas eu e ela, e juntas iríamos conhecer um monte de lugares mágicos, mas que em especial um dia eu iria viajar sozinha já adulta e quando voltasse estaria igual a ela, feliz como eu queria ser.
Sem entender o que ela dizia fiquei quieta ouvindo e imaginando os tais lugares mágicos e como seria viajar sozinha e tudo mais.
Tirando dos meus devaneios papai entrou sério na cozinha, para tirar aquele ar de tristeza pulei em seu colo e comecei a cantar e vi uma luz em seus olhos, percebi então os brilhos ali voltar.
Sem perceber, mamãe saiu da cozinha e levou a caneca consigo. Vi uma das portas de correr abertas da cozinha e entendi onde ela tinha ido, para o nosso jardim. Enquanto isso papai me colocou no balcão da cozinha sentada, chamou a minha irmã e preparou nosso café, fizemos uma bagunça na cozinha, meu pai nos deixou tomar café da manhã sentadas lá no balcão e adivinha? Foi quase tudo que estava ali no chão quando nos mexíamos, tinha leite, biscoitos e alguns potinhos de temperos caídos… Sem dúvida alguma mamãe iria ficar brava e logo comecei a dizer isso ao papai que nem me ouviu, apenas nos tirou do balcão e nos colocou longe daquela sujeira e saiu da cozinha. Novamente minha irmã se entreteu com alguma coisa e não reparou em nada que tinha acabado de acontecer. Apenas eu tinha notado que algo estranho estava acontecendo com nossos pais, como uma criança extremamente curiosa, eu queria descobrir.
Deixei minha irmã pra lá, percebi que ela não iria me ajudar em nada no momento e fui sozinha para o quarto, subi as escadas e escutei o barulho que vinha no final do corredor, fui até lá e vi meu pai se arrumando, estava colocando a gravata quando cheguei. Perguntei para ele o que estava fazendo, era natal e ele tinha que ficar em casa, ele disse que tinha algo importante para fazer e que logo iria voltar, mas mesmo assim continuei falando a mesma coisa. Me sentei na cama enorme dos meus pais, fiquei me admirando no espelho na frente do guarda-roupa e perguntei, por que não ganhei o que tinha pedido naquele ano.
Naquele instante tudo parou, meu pai congelou, os passos que tinha jurado escutar no corredor sumiram, só se ouvia nossa respiração. Depois de  minutos praticamente eternos ele se sentou ao meu lado e me disse “Minha pequena Anastasia, achamos lindo o seu pedido. Peço desculpa por não poder te dar o que deseja este ano. Você ainda é pequena para entender, mas quando crescer juro te contar pode ser? Você confia no papai? Anda mocinha, diz que sim… Vai?” Ele deu um belo de um sorriso e eu disse sim. Ele me abraçou e voltou a falar: “Sei que minha menina é uma criança curiosa e não quero te deixar assim, mas tudo tem sua hora certa, Anastasia, a mamãe e o papai cometeram alguns erros e pretendemos melhorar para não voltar a acontecer e para isso dar certo não podemos te dar o que pediu no momento.” Sua voz era calma, suas mãos faziam carinho nos meus cabelos bagunçados e quando olhei para cima diretamente para os seus olhos vi uma lágrima solitária cair do olho esquerdo. Fiz o mesmo gesto que fiz com a mamãe, nele, limpei aquela lágrima como se fosse colocar um fim.
Ele deu uma risada, me deu um beijo na testa, e disse: “Quer mesmo que eu fique em casa?” e eu disse sim.
Sem pestanejar comecei a falar que iria pegar os jogos que ganhei para jogarmos todos juntos e sai correndo já sabendo que ele iria ficar.
Naquele dia não tivemos um perfeito Natal, mas ele foi suficiente para devolver o brilho dos olhos dos dois.

Com o passar dos anos meus desejos mudaram, meus sonhos também, mas as minha lembranças não. Fui crescendo e compreendendo o que se passou naquele natal quando eu tinha 10 anos. Entendi o que a minha mãe fez, o que meu pai sentiu e o que eu pedi. Lembrei então das palavras da mamãe naquela manhã e as escrevi em um diário. Aquelas palavras ficaram ali por muitos anos até eu torná-las realidade.

“Um dia eu iria viajar e voltar igual a minha mãe, feliz e com aquele brilho nos olhos.”
Esse era praticamente o meu mantra de todas as manhãs, enquanto lia podia ouvir ao longe a voz da minha mãe dizendo: “Um dia você vai viajar, Anastasia, e quando voltar vai estar igual a mim, feliz e com brilho nos olhos.”.

Então cresci! Fiz 20 anos e aqui estamos!
De aniversário ganhei uma viagem da minha mãe… E o destino é a Irlanda. Como sonhava em conhecer aqueles lindos castelos.
Faltava uma semana para o Natal quando parti para lá, iria voltar para casa no dia 24, na véspera do Natal. Estava pronta para voltar do jeitinho que tanto esperava.

Sozinha na Irlanda, vagando admirada com tudo acabei conhecendo o Jamie, nos conhecemos em um castelo mais próximo do Hotel onde estava hospedada, ele estava fazendo umas fotos para o jornal em que trabalhava, o tema era os castelos do mundo, ele percebeu minha admiração por aquela estrutura e tirou fotos minhas sem eu notar, me tirou daquele encanto e pediu minha autorização para usar as fotos que tirou de mim em seu trabalho, fiquei pasma com o jeito direto dele e antes de responder o jovem de cabelos ruivos e olhos claros voltou a falar, pedindo desculpas e se atrapalhando todo com as palavras. Achei aquilo tão meigo que o deixei falar tudo embaralhado sem corrigir a ordem das palavras e seus erros de pronúncia. Quando terminou percebeu meu olhar ir diretamente ao seu e notei o rubor em suas maçãs do rosto, dei uma risada para quebrar o clima e lhe respondi as perguntas que me fez. Você já entendeu que rolou algo mais entre a gente, né?
Vivemos então dias incríveis juntos, Jamie me levou para cada castelo que queria fotografar na Irlanda, me levou para conhecer lindos bosques que jamais sonhei conhecer. Aparentemente tudo estava indo bem até faltar um dia para eu voltar ao meu lar.
Decidimos então em nossa última noite falarmos sobre nós, quem somos, o que queremos, o que já fizemos e por ai vai. Fizemos confissões e notamos que nós dois queríamos que esses dias não tivessem fim.

O amanhecer que vimos foi lindo, senti o sol me dar tchau e a luz do dia me confortar daquela despedida. O ar era de despedida logo de manhã...
Para minha surpresa, Jamie me abraçou pelas costas e ficou minutos comigo na sacada do hotel olhando para o horizonte. Não era necessário palavras para ele compreender que eu precisava daquele momento e dele ali comigo.
Lhe dei um beijo e fui arrumar as minhas malas, ele fez questão de ajudar e ambos ficamos em silêncio até a última mala ser fechada e nada mais que me pertencia sobrar naquele quarto de hotel.
Notei o vazio em seus olhos, os brilhos que eu tinha colocado ali tinha sumido, senti meu coração quebrar, não queria isso, não queria voltar com um coração partido, queria voltar com ele cheio de amor.

Deixei Jamie me levar até o aeroporto, fui sentindo meu coração apertar cada vez mais, vi seu nervosismo de me ver partir e quando minutos faltavam para eu partir o beijei como se jamais fosse ver esse homem novamente.
Entrei no avião e dormi, sonhei com tudo que vivemos nesses dias juntos, o tempo parou quando me lembrei de seus olhos claros me olhando.
Quando acordei já estava perto do avião pousar, estava chegando em casa.
Ao descer do avião e pegar meu carro no estacionamento me conformei com o que havia vivido, apesar do coração apertado e dolorido tive momentos incríveis que jamais irei encontrar em romance algum, pois apenas eu o vivi.
Com lágrimas nos olhos já a caminho de casa me concentrei na direção e a ansiedade começou a tomar conta de mim, pela primeira vez passei dias longe da minha família, só naquele momento notei a saudade que sentia deles.

Estacionei meu carro na frente de casa, abri a porta e fui inundada de abraços apertados. Me olhei no espelho que tinha logo na entrada e vi o brilho que tinha nos meus olhos.
Naquele dia compreendi que na verdade aquele brilho e a felicidade que via na minha mãe era por nossa causa, ela estava com saudade, ela estava feliz em nos ver, a culpa daquele brilho existir era nossa, só nossa.
O brilho que existia em meus olhos era por minha causa, por causa dele e por causa da minha família.
Minha noite de natal foi mágica, o menino que todos falavam atendeu o meu pedido depois de 10 anos, ele me ajudou por anos e eu só entendi tudo quando vivi o que mesmo que ela.

Na manhã de Natal no dia 25 de Dezembro, acordei feliz da vida, a falta que sentia de Jamie já não pesava tanto dentro de mim.... Até meu celular tocar.
Quando vi o nome dele e escutei sua voz rouca parei no tempo e aqui estamos… Este é o meu agora e ele está do outro lado da linha chorando.
Lhe pergunto o que está acontecendo e ele não me responde, apenas diz coisas lindas sobre nós e que me ama, em pouco tempo tive uma grande importância para ele, talvez não do mesmo tamanho que a importância que ele teve para mim.
Quando sua voz para de falhar e os soluços somem ele me diz apenas “Adeus” e a linha fica muda.
Choro e rogo a qualquer força maior que exista que isso seja apenas um surto e que nada demais lhe aconteceu. Minhas mãos começam a tremer, sinto uma dor horrível como se tivessem arrancado uma parte de mim, escuto a notícia na TV sobre um homem que se jogou de um dos castelos na Irlanda e começo a xingar ele de tudo que vem a minha cabeça, como ele pode ser tão cruel assim e roubar  si mesmo de mim e do mundo? Como ele pode fazer isso comigo em pleno natal? Choro ainda mais, o tempo voltou a correr, vejo minha mãe correndo ao meu encontro antes de cair de joelhos sem forças.
Que tipo de homem ele era para fazer tamanha crueldade comigo… Tinha esperanças de encontrá-lo novamente.
E agora jamais irei saber o que passava dentro dele e o que o levou a cometer tal ato, só sei que por alguns dias levei um pouco de brilho aos olhos dele.
Dos meus olhos não escorre uma lágrima solitária como foi com os meus pais, mas  se transborda  em prol de uma única dor.



Deixem aqui o comentário de vocês...
Até o próximo post.
Beijuuu...

4 Comentários

  1. Poxa, que texto emocionante. Só valorizamos quando perdemos =(
    diamanteturquesa.blogspot.com

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  2. OI KETH

    enfim tô tendo oportunidade de ler algo que a senhora escreveu *-* e ó, adorei. Adorei mesmo! você sabe como eu torço por você e pra que todo esse sonho literário cresça, duplique e o mundo inteiro admire igual a mim!
    feliz natal atrasado <3

    beij
    beinghellz.com

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    Respostas
    1. Hellz, amiga linda!
      Obrigada!!! ♥
      Ao longo de 2017 pretendo postar outros textos meus... :)
      Obrigada por tudo!!!

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